Escreve P. Justo E. Piccinini: Convivi com o P. Lages quatro anos como padre.ELE ERA UM HOMEM DE DEUS. Alimentava uma união profunda com Deus em todos os momentos de sua vida; basta lembrar a sua constante preocupação em celebrar a Santa Missa para o povo e como se preparava com dedicação. Notava-se essa sua intima união com Deus através das conversas que mantínhamos no dia a dia através da convivência e participação na vida da comunidade.ELE ERA UM HOMEM SÁBIO. Creio que todos os que se aproximavam do P. Lages notavam a sua sabedoria. Não só no conhecimento das ciências mas no bem conduzir a sua vida... Um homem sempre atento às mudanças e aberto a elas sem se deixar abater ou viver resmungando. Apesar da idade acompanhou o avanço do pensamento e das ideias que rodavam o mundo.
ERA UM HOMEM PROFUNDAMENTE SALESIANO. Quem de nós não se lembra do profundo amor do P. Lages para com Dom Bosco? Amor expressado na sua dedicação no trabalho de ensinar e formar as pessoas para a construção de um mundo melhor, nos seus escritos sobre Dom Bosco,no Jornalzinho "Ecos do São Joaquim". Através dele difundiu para os pais, alunos e ex-alunos o amor para com Dom Bosco, Pai e Mestre dos jovens. Dizia publicamente muitas e muitas vezes da sua alegria de ser Salesiano,Filho de Dom Bosco. P. LAGES ERA UM HOMEM EXIGENTE, JUSTO, CORRETO E MUITO BONDOSO. Nos anos em que convivi com o P. Lages sempre o vi como um homem muito correto no que fazia e propunha para os outros, muito exigente, mas sempre justo. A sua exigência sempre vinha marcada pelo desejo de fazer a pessoa crescer, ter uma boa formação, fazer as coisas corretamente.
ERA UM HOMEM FELIZ. A grande lição de vida que me deixou foi a de que ele se sentia feliz, era uma pessoa feliz. Feliz por ser professor, feliz por ser padre, feliz por ser educador e muito feliz por ser salesiano. Junto de pessoas assim e gente procura construir também o próprio caminho de felicidade. Dificuldades sempre surgem, me disse ele um dia, mas diante delas, desanimar jamais. E acrescentava: acreditar em Deus sempre.
Este é o testemunho de D. Hilário Moser SDB: Direi em poucas palavras o que ficou em mim do testemunho de vida do P. Lages. Ele era um homem fiel, no grande e no pequeno; fiel a si mesmo e à sua vocação de cristão, de salesiano e de sacerdote. Era um homem amante da perfeição, por isso exigente (no bom sentido), consigo mesmo e com os outros, com tudo o que é belo e bom. Era um homem íntegro e reto, sem obscuridades, um “verdadeiro israelita”.
Um homem culto e amante do saber, particularmente enamorado pela língua pátria, um bom professor, com algum quê de poeta. Homem gentil, educado, respeitoso, sempre pronto a acolher com fraterna alegria quem o procurasse. Um homem que fez da vida, particularmente na idade avançada com seus achaques, uma oferenda para Deus, em busca da santidade.
Sua morte deixou-nos uma herança que não se pode perder; seu legado não pode ser esquecido ou desperdiçado. O P. Lages é uma árvore frondosa da nossa Inspetoria: é preciso cuidar para que ela continue a produzir flores e frutos.
Ir. Hamilton B. Rodrigues escreveu: Meu contato com P. Lages, na época de formação, foi sempre através de alguma "boa-noite" nos dias de festa em que era convidado a falar para os formandos, sempre com muita profundidade e com grande cunho de salesianidade.
Depois fui conviver com o P Lages já como professo perpétuo (1998-2001), durante três anos em Lorena, onde pude sentir todo o seu carinho para com os Salesianos Irmãos. Sempre tinha um elogio, um agradecimento, uma citação de algum irmão que passou pela sua vida. Ainda nesta convivência aprendi muito sobre as regras gramaticais, pois todos os meus trabalhos de faculdade eram corrigidos por ele. Nesta convivência senti o carinho que demonstrava aos formandos, ao povo em geral, à nossa Inspetoria lendo e fazendo Ler. Quando ficar cego, as notícias vindas das casas salesianas ou do centro inspetorial. Algumas vezes me chamava atenção de alguma faixa ou cartaz afixado nos ambientes do UNISAL com algum erro de Português.
Quero ainda destacar as celebrações eucarísticas de todos os dias onde repasso, no final da missa, com os alunos e com o povo, o Catecismo Católico com precisas explicações.
P. Nivaldo L. Pessinatti, seu ex-inspetor, escreveu: Sempre fui um admirador incondicional do “Velho Mestre”. Seu profissionalismo, sua coerência humana e religiosa, seu inteligente e refinado humor, faziam dele uma pessoa ímpar. Nunca fez pacto com a mediocridade. Nunca desempenhou “poder” mas sempre foi cheio de autoridade.
Em sua existência não acumulou apenas longos anos, mas muita sabedoria! A congregação, a nossa Inspetoria, Lorena, o Brasil e a educação muito devem ao seu dedicado e competente trabalho. O cultivo da língua pátria foi um motivo para que ele fosse respeitado e ouvido, além de tantos outros valores cristãos. Como torcedor do São Paulo Futebol Clube que ele era, tínhamos nossas diferenças que acabavam sendo motivo de grande amizade. Sentia da parte dele um grande carinho comigo, um carinho forte, sincero e salesiano a que procurei sempre responder. Sempre me corrigiu... e me orientou e marcou para o bem. Continuaremos a ter o P. Lages muito vivo em nossa mente e coração.
A sobrinha Maria da Graça: A alma grandiosa do meu tio, padre Antônio Lages habitou por 102 anos um corpo pequeno. Diante de meus olhos de sobrinha, com grande admiração por ele, posso dizer que foi um gigante. Foi gigante na missão de padre e educador. Foi um Tio muito carinhoso.
Foi grande nos exemplos de amor, sabedoria, delicadeza e alegria que deixou para os que cruzaram seu caminho e aos que fizeram parte de sua família biológica. Foi grande quando influenciou e ajudou na construção de vidas, na formação de profissionais éticos, íntegros, conscientes. Suas palavras calaram fundo em nossos corações e seu exemplo está gravado em nossas almas. Sempre esteve presente, fisicamente ou em pensamento, nos momentos mais importantes de minha vida. Na década de 50 morávamos (papai Joaquim, mamãe, meu irmão e eu) em uma fazenda e minha infância foi povoada pelos santos e pelas histórias que chegavam através dos livros enviados por ele. Mamãe os lia à luz do lampião e nossos corações se iluminavam com os exemplos de amor vivenciados por aquelas santas criaturas.
O ex-aluno José Carlos F. Marcondes escreveu: Um grande amigo se foi. Nossa amizade perdurou por 60 anos desde que eu era aluno interno no Colégio São Joaquim. Ele fazia parte da minha família. Não havia uma só vez que, ao passar por Lorena, eu não desse uma parada para abraçá-lo.
Meus amigos todos sempre queriam saber notícias do P. Lages. Muitos deles, que foram conhecê-lo, voltaram encantados com sua cultura, seu bom humor e sua postura religiosa. Sabíamos que éramos lembrados todos os dias na missa rezada pelo querido mestre. P. Lages era muito alegre e espirituoso. Sempre que íamos visitá-lo, ele pedia para lhe contar as novidades. Quando falecia algum colega e eu voltava do enterro, passava por Lorena para lhe contar com quem eu me havia encontrado.
Hoje não tenho mais aquele amigo que rezava por mim aqui na terra, mas tenho certeza que no céu, mais perto de Deus, ele intercede por todos nós.
Tales E. Fernandes, seu secretário: Conheci o P. Lages em janeiro de 1994 e fiquei cuidando dele até o fim de sua vida em 2011. Ele já estava aposentado como professor, mas nunca deixou de ser educador. Sempre me corrigia em tudo, principalmente na Língua Portuguesa. Trabalhava muito.O padre Lages tinha muita vontade de produzir livros. Ele era sem dúvida alguma um jovem num corpo de idoso. Notava-se o seu bom humor contando algumas “piadinhas” para alegrar o ambiente.
P. Lages era sempre muito educado. Nunca falava mal das pessoas. Dizia que quando a gente não tem alguma coisa de bom pra falar de alguém, melhor era ficar em silêncio. Fazia questão sempre de agradecer os trabalhos realizados pelos salesianos, pelas cozinheiras, pelo pessoal da administração e outros. Deixou muita saudade.
Assim testenhou P. Alexandre L. Luiz de Oliveira: Tenho a alegria de testemunhar acerca do nosso querido e saudoso P. Lages. Sinto-me privilegiado por ter tido a feliz ocasião de conviver por duas vezes com ele. A primeira, quando era pré-noviço, estudante de Filosofia. Via no P. Lages duas características que me encantavam: o ser sacerdote e o ser educador! Ele vivia isto com tamanha seriedade, generosidade e fidelidade, que a mim que estava iniciando o discernimento vocacional, foi sempre uma luz no caminho. A segunda vez em que pude conviver com ele, foi quando voltei a Lorena como padre novo, nos primeiros anos de meu sacerdócio. Uma expressão muito feliz que saia sempre de seus lábios e que me enchia de alegria era quando ele dizia: “nestes anos todos, grande foi a consolação que tive de Deus!”
Convivi com o P. Lages durante mais de 50 anos como aluno e com ele professor no C. Unisal. Teria muitas coisas para contar ainda. Esta pequena biografia serve para comunicar à congregação salesiana a vida e a morte deste grande salesiano. É minha homenagem carinhosa.
A carta impressa em língua portuguesa, traduzida e enviada pela internet, em inglês e espanhol às casas salesianas onde não se fala português.
Espero que o rico material escrito que o P. Lages deixou, possa servir para uma futura biografia do grande filho de Dom Bosco.
Mais informações: www.youtube.com
Lorena, Novembro de 2011.
P. Mário Bonatti

